Untitled Document
- Proposta 1
Se um dia nos déssemos ao trabalho de gravar o que dizemos numa conversa cotidiana qualquer e, depois, transcrevêssemos isto, com certeza teríamos um material para boas risadas, pois o texto final estaria cheio de repetições “desnecessárias”, cortes abruptos, enfim, diversas marcas que caracterizam a linguagem oral e que não são adequados à linguagem formal escrita.
- O exemplo a seguir foi proposto pela UFPR.
- O texto que se segue é uma transcrição de um bate-papo entre estudantes. Leia-o com atenção.
- Falante 1: Eu não sei, tem dia... depende do meu estado de espírito, tem dia que a minha voz..., mas tá assim, sabe? taquara rachada? Fica assim aquela voz, baixa. Outro dia eu fui ler um artigo, ler! Um menino lá que faz pós-graduação da de economia, ele me, nós ficamos até duas horas da manhã, ele me explicando toda a matéria de economia, das nove da noite.
- Falante 2: Nossa!
- Falante 1: Ele fez esse resumo... que era pra mim ir lá na frente, né, na classe, ler, eu sei que, esse papo que eu tive com ele clareou mais a matéria pra mim, mas eu fui lá na frente ler, eu teria que comentar apenas e levar o roteiro como, como,
- Falante 2: Ponto de apoio.
- Falante 1: Ponto de apoio, mas eu não! Eu peguei o papel assim... eu fiquei assim o tempo todo, eu só li, um artigo tão bem feitinho... podia ter tirado uns oito ou nove só pela minha forma de ir lá na frente, falar, tremendo, eu não sabia, sabe? E a voz foi diminuindo, diminuindo, aí eu fui dando uma disparada na lida, sabe quando você dá uma disparada pra terminar logo? Foi horrível.
- (Adaptado de TARALLO, F. Tempos Lingüísticos. São Paulo, Ática: 1990)